Discurso de saudação ao acadêmico Gauchinho

É com imensa alegria que aceito a incumbência de recepcionar este grande poeta do cordel em nossa querida Academia Gloriense de Letras. Congratulamo-nos pela chegada do Acadêmico Luiz Alves da Silva ao nosso grêmio. Confesso que desejei profundamente fazê-lo em verso, nada mais oportuno que saudar com poesia àquele que a oferta, tão generosamente, a todos. No entanto, tal elogio merece maior tempo e dedicação, para que o verso que elogia seja tão sublime e digno quanto o que é elogiado. Prometo fazê-lo a contento num momento futuro.

Limito-me então tentar apresentar a todos uma notícia biográfica do ilustre poeta que ingressa hoje na AGL.

Hábil e criativo no cordel, Gauchinho, como todos o conhecem, se destaca pela agudeza de sua crítica e pela veia cômica de quem conhece a natureza humana e brinca com suas vicissitudes. Quem ouve seus versos, muitas vezes declamados calorosamente na feira livre de Glória, sabe que está diante de alguém que conhece muito bem a arte da métrica, da rima e da oração do tradicional cordel brasileiro. O olhar experiente de um crítico confirmará que se trata de um poeta maduro, cujo talento é fruto de inúmeras leituras dos grandes nomes dessa tradição literária. De fato, Gauchinho tornou-se um leitor desde que as letras lhes foram apresentadas e apaixonou-se pela poesia desde a infância, quando já era ouvinte atento das rodas de leitura de cordéis, que eram muito comuns em sua casa entre seus irmãos e seu pai.

Nascido na Baixa Limpa, no município de Glória, em 25 de novembro de 1964, Luiz Alves da Silva é filho de Sebastião Alves da Silva, um pernambucano da cidade de Bom Conselho, e de Dona Sauvelina Alves da Silva, gloriense nata. Já aos 10 anos de idade tinha sido apresentado ao mundo das letras, pois fora alfabetizado pelos seus irmãos mais velhos, e ao fazer exames de admissão na escola, já sabia a cartilha. Foi curto, no entanto, o espaço de tempo de Gauchinho nos bancos escolares, embora tenha levado consigo para o resto da vida o hábito da leitura. Concluída a terceira série, decidiu deixar o ensino formal e foi aprender com os ensinamentos da própria vida. Seguiu, pois, com um circo mundo afora e tornou-se, posteriormente, vendedor de folhetos de cordel.

O hábito de ouvir e depois ler cordel, estimulado pelo pai desde a infância fez com que, aos dez anos, Gauchinho se aventurasse na produção escrita. Compôs sua primeira história a partir de uma discussão entre um evangélico e um alcoólatra em Santana do Ipanema.

Animado com o resultado de sua investida pelos versos de cordel, pois amigos e familiares passaram a admirar seu talento, decidiu escrever a história da própria família. No seu primeiro folheto completo, A luta de Sebastião pelo amor de Sauvelina, narra a trajetória de vida de seu pai e sua mãe.

Há muito que o poeta vem lutando com as palavras diariamente, elaborando uma das obras poéticas mais significativas que temos na localidade. Costumo dizer que, sozinho, Gauchinho conseguiu reunir os três elementos necessários à construção de uma tradição literária, pois sempre produziu seus poemas, editou artesanalmente seus livros, divulgou-os na feira livre da cidade declamando-os pelo megafone e, fazendo que chegassem diretamente a consumidor, criou um público leitor e apreciador do cordel em Nossa Senhora da Glória.

Luiz demonstra ter consciência de seu papel como poeta do cordel e não só estuda essa tradição literária, como também estreitou laços com seus representantes mais significativos. Teve folhetos revisados pelo poeta Manoel d'Almeida Filho, um ícone do cordel brasileiro, e manteve um estreito laço de amizade com o grande poeta sergipano João Firmino Cabral, seu Patrono na Cadeira de nº 09, que passa a ocupar, e que lhe ajudou e ensinou muito dessa técnica poética.

Gauchinho já escreveu diversos livros, segundo consta são 26 títulos publicados e 4 títulos ainda em processo de conclusão. Alguns foram publicados pela famosa Editora Luzeiro, de São Paulo, outros pela Editora Tupynanquim, de Fortaleza, administrada pelo seu amigo, o também poeta Klevisson Viana, e os demais foram editados artesanalmente e publicados pelo próprio autor.

Reconhecido por seu talento entre seus pares, foi eleito, por unanimidade, para integrar nosso corpo acadêmico. Sem dúvidas, o poeta Gauchinho já escreveu seu nome na história cultural de Nossa Senhora da Glória, mas muito ainda contribuirá para a formação de nossa tradição literária como um imortal da AGL a partir desta data. Celebremos, pois, sua chegada, digno confrade, seja muito bem-vindo ao nosso meio!